Senhoras e Senhores, parabéns pelo evento.
Eu estava indo, até escolhi de manhã uma camisa “de botão” para sair bem nas fotos, mas 1 hora e pouco de engarrafamento da PUC até o túnel Rebouças acabaram com a minha energia. Fiquei imaginando, tive muito tempo para isso, a dificuldade de arrumar vaga na Rua Alice e toquei pra casa. Cheguei em casa e capotei, acordando quando já eram mais de 23hs.

Vi que foi legal, vi a Karina Rei participando, para mim sempre um diferencial, e acho sempre muito bom as pessoas se reunirem para falar sério sobre qualquer assunto, e este assunto, é sério. Mas, eu sou meio cético e bem prático sobre este tema. Em minha opinião não existe este negócio de IA, de um tempo para cá, TODA A COMPUTAÇÃO é IA, simplesmente porque agora ela pode, agora está disponível para tudo e FINALMENTE o computador ficou pronto.
Finalmente o computador ficou capaz de preencher as suas funções arquétipas, que, por exemplo, Stanley Kubrick viu em 1968 quando fez o seu filme 2001 uma Odisséia no Espaço. O Hal, o computador que falava e interagia com os astronautas.
O computador nasceu para isso, para ser o papai sabe tudo, mas até o advento da IA, o ponto “da singularidade”, quando velocidade, latência, bancos de dados e capacidades de síntese se uniram e foram capazes de entregar o que sempre se esperou do cérebro eletrônico. Gilberto Gil disse “O cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo, ele faz tudo, mas ele é mudo”, pois é, ele era mudo, hoje ele fala. Absolutamente qualquer coisa que você faça de hoje para frente em um computador, usará o que estamos chamando no momento, de IA. Um programa simples de Receitas de bolo, usará IA, porque com facilidade o programador terá acesso a estas ferramentas e fará um programa que as use.
Para comparar, quando do advento dos carros injetados, todo carro colocava um i no nome, para mostrar que era injetado. Hoje não se coloca mais, pois todo carro é injetado. Com a IA eu acredito que será a mesma coisa, em breve não se usará mais IA, pois como eu disse antes, TUDO é IA daqui para a frente.

Nós publicitários já vivemos outros choques no passado. Quando comecei na propaganda na Artplan em 1979, para fazer um anúncio precisávamos de um DA muito bom desenhista para criar com Stabilo, um redator para escrever com máquina Olivetti o texto, depois um estúdio muito bom para desenhar com nankin e curvas francesas, colar com cola de borracha, do Benício para ilustrar, do Ayrton Camargo para fotografar, do Estúdio Alpha para fazer as fotocomposições e do motoboy para levar as artes para o fotolito. Não tinha sido inventado o microcomputador e nem o FAX. Filmes, montavam-se na moviola, porque não se conseguia gravar e editar usando vídeo.
Vejam o quanto mudou muito e ao mesmo tempo NADA. Pois o que temos para oferecer são as idéias e o processo organizado de produção, coisas que não mudaram. Quem tem “braço curto” vai continuar com braço curto, quem não é criativo não fica criativo com a IA, quem não é organizado, não fica organizado com a IA. Na verdade a minha experiência tem mostrado que a IA potencializa AINDA MAIS quem já sabe fazer e tem as qualidades necessárias. Tenho percebido que ao invés de igualar por baixo, o que muitos tem medo, a IA permite que os de cima voem ainda mais alto.
Esta seria a minha contribuição.
Atenciosamente.
Mário Barreto

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