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PorMario Barreto Publicado 26 de março de 2024

A IA Mania.

Para aqueles que apontam que sou um crítico incessante e apenas posto reclamações, permitam-me discordar… de tempos em tempos, compartilho um trabalho meu, como podem conferir clicando aqui.

Entretanto, a crítica é algo que não consigo evitar. Vamos lá, com um pouco de contexto… Em 2010, eu era sócio de Marcio Nunes na Bitix, uma empresa de tecnologia focada no desenvolvimento de aplicativos para smartphones. Minha função era estabelecer parcerias com agências de publicidade e oferecer nossa expertise na área. Tentamos argumentar que, “no futuro”, as pessoas acessariam mais a internet por meio de smartphones do que por computadores. Surpreendentemente, os criativos, profissionais de mídia e planejamento não acreditaram. Em 2010. Insistimos que as campanhas precisariam de um complemento: um aplicativo integrado às ações de comunicação para serem completas. Sem sucesso. Eles simplesmente não conseguiam visualizar. Meu projeto fracassou.

Muitos anos antes, na abertura da internet pública no Brasil, eu e meus sócios Thomas Wilson e Robson Ribeiro fundamos um dos primeiros provedores de internet privada do país, utilizando a infraestrutura da Embratel. Rapidamente, desenvolvemos websites para nossos negócios, mas as agências também foram resistentes, levando um bom tempo para entender o que era a internet. Houve até um episódio em que uma agência reclamou porque a produtora utilizou a internet. Era um cliente em São Paulo, e eu criei um hotsite, secretamente, para apresentar o trabalho que estávamos desenvolvendo juntos. A agência ficou furiosa, pois não sabia como usar, não tinha acesso à internet.

Lembro-me do primeiro microcomputador ao qual tive acesso, um modesto TK82C com apenas 4K de memória. Fiquei desapontado ao descobrir que a máquina não sabia nada e que eu precisava digitar dezenas de linhas de código para fazê-la funcionar. Para alguém que viu “2001: Uma Odisseia no Espaço” e conheceu o HAL 9000 (Heuristically Programmed Algorithmic Computer), foi uma grande decepção.

As coisas demoraram a melhorar, pois a promessa do “sabe tudo” não foi cumprida. A primeira tentativa nesse sentido foram as enciclopédias em CD-ROM, onde, em 640MB, toda a informação do mundo deveria caber. Por exemplo, a Microsoft Encarta. Os computadores, que não estavam interconectados, não sabiam nada. No máximo, tinham acesso aos 640MB do CD-ROM.

Então veio a internet, os computadores começaram a se conectar, mas no início faltavam servidores, informações digitalizadas e uma comunicação ágil entre eles, agora terminais, as fontes de informações, que são os servidores. No início, nos conectávamos com modems analógicos de baixa velocidade.

Foram necessários mais 20 anos até que as redes de intercomunicação entre os computadores ficassem suficientemente rápidas para que o tempo de resposta fosse aceitável. Vocês sabiam que todo o processamento da Siri, por exemplo, não é feito no iPhone ou Mac? Sua voz é transmitida para um servidor da Apple na Carolina do Norte, onde é decodificada, a Siri encontra a resposta e a envia de volta. Tudo isso em um tempo mínimo. Isso é a latência aceitável. Vejam a importância da latência… Para cada 100 ms de latência, o Google estimou uma queda de aproximadamente 0,20% no tráfego de pesquisa, e a Akamai mostrou uma queda de 7% nas taxas de conversão. No Walmart.com e Staples.com, cada 1 segundo de melhoria no tempo de carregamento equivale a um aumento de 2% e 10% nas taxas de conversão, respectivamente. Não é à toa que minimizar a latência na internet é uma indústria multibilionária.

Estamos agora em 2024, onde temos uma comunicação rápida o suficiente e servidores com informações suficientes para finalmente, após 50 anos da invenção do Altair e 56 anos da estreia de “2001: Uma Odisseia no Espaço”, termos um computador que finalmente cumpre sua promessa de ajudar a humanidade, permitindo uma interação natural, sem exigir conhecimentos avançados de computação.

Para mim, IA é simplesmente isso: a realização da promessa da computação. Aquilo que o computador deveria ter sido desde o início, mas não conseguiu por limitações técnicas. É muito, mas para mim, é só isso.

Com todo esse histórico, olho com desconfiança para os supostos especialistas em IA, os “domadores” de IA, os mestres dos prompts de IA. Na boa, são os mesmos que não entenderam a internet nos anos 90, os mesmos que não entenderam os smartphones em 2010. Pessoas que mal sabem usar um iPhone e chamam qualquer calculadora que some 1 + 1 de IA. Sou pretensioso? Sou.

Minha experiência me mostrou que as agências frequentemente se apresentam como tecnológicas e inovadoras, mas, na realidade, são compostas em sua maioria por pessoas que mal sabem configurar um iPhone e que precisam de ajuda técnica até para ligar uma impressora na tomada. Agora, querem se tornar especialistas em IA.

Para mim, toda a computação daqui para frente será baseada naquilo que estão chamando de IA. Absolutamente tudo o que faremos em um computador terá a participação dele e da chamada IA. Meu programa de email, Spark, oferece IA para escrever emails. O navegador oferece IA para pesquisas mais precisas. O Photoshop oferece IA para retoques mais simples. O iFood usa IA para otimizar os pedidos. Tudo. Acho toda essa empolgação com IA uma bobagem. Vai desaparecer em breve. A IA já está incorporada em tudo, e o trabalho continuará o mesmo, com a assistência do computador. Com ou sem a assistência do computador (IA), quem é incompetente continuará incompetente.

Conversando com minha orientadora de mestrado, lembrei-me de quando comecei na arte. Para fazer um degradê, eu precisava usar um aerógrafo, tomar cuidado com os respingos, preparar as cores com Ecoline e aerografar habilmente em uma folha de papel schoeller. Usar máscaras, Letraset, e todo o resto. Com o advento dos computadores, tornou-se uma questão de segundos e dois cliques. Mas então descobri que o trabalho mais importante não é fazer o degradê, mas sim criar mentalmente a imagem para sua posterior execução.

Me digam… como seria o prompt de IA de alguém que não tem nada na cabeça? Que não sabe imaginar, pensar, escolher? Dito isso, chegamos à conclusão de que os fundamentos do trabalho continuam os mesmos, apenas os computadores, aproveitando a disponibilidade de dados e a interconexão de baixa latência, são capazes de fazer o que sempre deveriam ter feito, mas não conseguiam.

Lembram-se dos carros que tinham uma placa atrás dizendo “Automático”? Pois é, nenhum carro de luxo tem mais essas placas, pois já se sabe que todos são automáticos. Toda essa conversa sobre IA em tudo logo chegará ao fim, porque tudo será IA. Tudo já é IA.

A esperança é que a humanidade utilize essa nova ferramenta para elevar o nível de seus trabalhos, pensamentos e eficiência. Uma esperança um tanto frágil, já que estamos vendo a maioria usar todos esses avanços para assistir vídeos e fazer dancinhas no TikTok, com IA.

Amém.

PorMario Barreto Publicado 26 de março de 2024

Plataforma Conecta

Dirigidos por Adolfo Rosenthal, a Imagina participou da produção inicial de 65 filmes para a Plataforma Conecta, uma iniciativa da UERJ, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, com o apoio da Faperj e do Governo do Estado. Esta iniciativa, capitaneada pela Professora Tatiane Alves, é uma incrível ferramenta a disposição de toda a comunidade, divulgando as mais diversas iniciativas científicas, tecnológicas, sociais e outras, que estão em andamento na Universidade.

A Imagina participou na Edição, Sonorização, Grafismos e Finalização de todos os filmes desta primeira etapa. Gravados sobre fundo de Chromakey, o principal desafio foi o da quantidade, tanto para a gravação, que cansou os atores, como na finalização, que me cansou!!! kkkkk

A plataforma estreará em 02 de Abril de 2024. Obrigado UERJ, obrigado Adolfo, obrigado Professora Tatiane. Longa vida ao projeto, e mais filmes, é claro.

PorMario Barreto Publicado 15 de março de 2024

Sam Altman disse 95%. É quase tudo.

Nasci publicitário. Quando nasci Mamãe trabalhava na Grant Publicidade. A imensa maioria nunca ouviu falar, ignorância, a Grant foi grande: http://www.janelapedia.com.br/index.php/Grant

Foi a Grant também que me sustentou (hehe, meu dinheiro vinha de Mamãe) até eu começar a trabalhar. E, sem nenhuma surpresa, comecei a trabalhar em propaganda. Meu primeiro emprego em agência foi na Artplan, para onde fui ocupar o lugar do Eduardo Martins no estúdio. Já éramos amigos. Godim foi para a CBBA em sua primeira posição como DA, e me deixou gramando no estúdio da Artplan.

Nesta época, final dos anos de 1970, a publicidade era uma profissão de Gentlemans, e tinha exigências muito diferentes das de hoje em dia. Para ser Diretor de Arte, por exemplo, era necessário saber desenhar. Admitia-se que os DA’s não fossem ilustradores, até porque os ilustradores da agência eram Valter Maia e Benício, mas todos eram. E, para ganhar dinheiro como Redator, era necessário saber escrever bem um texto criativo/técnico publicitário. E tinha que sair de dentro da cabeça, pois ainda não tinha sido inventado o microcomputador. Toda a criação saía em layouts marcados com Stabilo e em textos digitados em máquinas de escrever. Sem nenhum computador, sem Google, sem pesquisas de imagem… saía da cabeça e da consulta de revistas e anuários. Também não existia o videocassete VHS. Incrível não é?

Não lembro se já existiam cursos de publicidade nas faculdades, mas isso não importava. A maioria dos profissionais na agência, na criação contava com o talento e vocação para a função. O publicitário é (era) um tipo diferente de profissional… uma pessoa observadora, sensível, capaz de entender, decifrar e codificar o mundo em formatos especiais (30 segundos de um comercial ou as páginas de uma revista). Eram todos artistas, raros, de difícil formação e talvez por isso eram disputados a tapa, não faltavam empregos e bons salários.

A criação era uma elite. Ganhavam bem, vestiam-se bem, tinham coisas caras, moravam bem, era uma elite.

Semana passada eu conversava com o Godim sobre a muito badalada previsão do Sr. Samuel Harris Altman – https://www.marketingaiinstitute.com/blog/sam-altman-ai-agi-marketing

Pois é, lemos e não duvidamos. Tanto fizeram para afastar a atividade do Publicitário da Arte, da Genialidade, do Talento, que agora serão todos substituídos por uma I.A. Parabéns.

Washington Olivetto vem reclamando da desvalorização do Publicitário desde os anos 90 do século passado, mas as coisas aceleraram muito nos últimos anos. O mundo mudou, as agências foram vendidas, os clientes foram vendidos. Hoje estão no controle não mais Fundadores, Inventores e Publicitários mas sim empresários e investidores. Muitos não entendem nada de publicidade e esta coisa de valorização de Publicitários só dá despesa. Praticamente todos os Grandes Publicitários do mundo não estão mais trabalhando em publicidade. A maioria está rica, contando metal, mas sem trabalhar em publicidade. Ultimamente também a onda Woke, que chegou com tudo. Onde a diversidade é mais importante do que tudo. O indivíduo pode nem ser o talentoso e bom Publicitário com o talento necessário, mas tem a diversidade necessária para a equipe.

Disse o Godim: “As agências caíram na besteira de virarem tecnológicas abraçando Google, Facebook, Instagram, Tiktok etc… Fizeram um tremendo esforço para transformar humanas em exatas. E agora, tecnologia por tecnologia, a I.A. faz.”

Eu não poderia concordar mais. As agências, cada vez mais iguais, cada vez mais dirigidas por pessoas que não são publicitárias, cada vez mais sem lideranças, cada vez mais wokadas, sem arte, sem brilho, com profissionais mal pagos (comparando com os salários do passado recente), caminham para virar um programa de computador.

Sem choro nem vela, ainda vão aplaudir, I.A. é o futuro!

PorMario Barreto Publicado 12 de março de 2024

Gente… é mentira.

Ah… as coisas não mudam e sempre tem um guru, influenciador, sabichão, coach, espertão para dizer que o segredo é “fazer mais por menos”. Acabei de assistir um filme de uma produtora falando novamente isso.

Me lembrou o papo que eu tive com o saudoso amigo e publicitario Marcos Calvi. Fizemos um monte de filmes juntos. Ele me ligou, para me alertar de que ele recebeu uma proposta bem atraente de um concorrente meu, preu ficar ligado.

A proposta era a seguinte… a produtora entraria no processo criativo bem no seu início, colaborando na criação. Isso, segundo eles, minimizaria ruídos e seria capaz de gerar um resultado mais efetivo e orçamentos mais adequados. Ele achou a proposta incrível!

Eu imediatamente retruquei… então… a produtora se ofereceu para trabalhar mais, por mais tempo, para no final de tudo ter como objetivo reduzir o valor do orçamento. Não achei grandes coisa. Na verdade, achei uma proposta de merda. Além do que, meu trabalho seria o de diretor de filmes, com responsabilidades sobre a direção, animação, VFX, cinematografia, edição e produção.

No meu caso, sou também publicitário e criativo, comecei na Artplan e cheguei até ser dono de agência, mas não estaria dentro do escopo da produtora, criar o filme. É outro trabalho.

Agradeci a preocupação do amigo, mas disse que eu jamais concordaria com isso. Na minha cabeça mais trabalho=mais caro. Igual no supermercado quando eu compro mais 1kg de arroz=mais caro.

Pressionados pelos clientes, que há muito tempo são geridos e comandados por financeiros, as agências procuram orçamentos cada vez menores e sempre tem um sabichão para dizer que é assim que se faz.

Idiotas. A produtora que na época ofereceu este trabalho ao meu amigo não durou nada… desapareceu. A agência do meu amigo derreteu também.

Não há segredo no sucesso financeiro de um negócio, basta ser pago, justamente, por todos os seus trabalhos. Se você consegue ser pago justamente por seu trabalho, por um tempo suficiente, vc vive e faz reservas para viver e investir na sua vida, no seu negócio, no seu mercado.

Sempre irão aparecer estes espertos para dizer que a tecnologia, a IA e outras coisas irão permitir orçamentos mais enxutos, mais baratos. Uma mentira, porque a capacidade de cobrar, mudar, refazer, dos clientes, é infinita, de modo que o tempo médio para a produção de um filme mais ou menos se mantém. O seu custo é mais baixo em pessoal, em equipamentos, mas mesmo assim, não compensa, porque concorrentes nascem a cada segundo e não se realiza a quantidade que seria capaz de contrabalançar o preço mais baixo.

Lembrando que o seu preço abaixa, mas o colégio das crianças, o carro, o aluguel, as passagens aéreas, o supermercado, sobem. A tecnologia permite equipamentos mais baratos, mas reparem que são outros equipamentos, não são os mesmos. No seu caso, é o mesmo trabalho.

Os clientes, geridos por financistas, só pensam em dinheiro, em economizar em tudo para que sobre mais para os acionistas, os “stockholders”. Não são seus amigos ou parceiros para nada.

As agências, pressionadas por seus clientes, também não são. Salvo interesses específicos, tem 2.671 opções para escolher no mercado.

Além do que, são quase todas parte do WPP, Interpublic, Omnicom ou Publicis, que por sua vez são da BlackRock e Vanguard, que controlam a maioria dos grandes clientes do mundo. Ou seja, é tudo farinha do mesmo saco, controladas por financistas.

Finalizando, é mentira que a redução dos preços forçada pelos financistas e operacionalizada pela tecnologia é um bom futuro. Não é. A redução “seus” preços apenas concentra os lucros nas mãos deles, onde geralmente os preços, sempre, sobem.

Fica a dica. Grato.

PorMario Barreto Publicado 8 de novembro de 2023

Imagina e AC2R criando com IA!

Para atender ao nosso cliente, a Construtora AC2R, a Imagina fez uso intensivo de tecnologias que estão todos chamando de Inteligência Artificial. E foi uma experiência incrível.

A demanda foi a de realizar uma simplificação do Código de Ética e Compliance da Construtora, visando um público alvo de operários da construção civil. O formato escolhido foi o de Quadrinhos, para tornar além de simples, atraente.

Para a simplificação e edição dos textos necessários, usamos extensivamente o Open AI ChatGPT. Bem direcionado, corrigido e baseado no texto original o sistema foi capaz de editar textos adequados a nova proposta, acelerando e facilitando muito o processo de criação.

Para a ilustração dos Quadrinhos, foram produzidas mais de 40 ilustrações, usando o Discord  MidJourney. Uma ferramenta difícil e desafiadora, que estamos apenas começando a explorar, mas que apresentou um resultado fenomenal, frente a qualidade obtida e a velocidade de produção.

E para a arte-finalização, montagem dos Quadrinhos, usamos o Canva, que melhora a cada segundo e no momento apresenta ferramentas de produtividade incríveis. Uns poucos retoques foram necessários usando Adobe Photoshop e GIMP.

Somente desta maneira, usando ferramentas avançadas de IA, foi possível cumprir o prazo e manter o preço dentro do orçamento. É uma revolução na maneira de trabalhar e que vai impactar de maneiras novas o mercado de trabalho para designers, criadores e ilustradores.

Dividindo  minha experiência com minha orientadora de Mestrado, a Professora Roberta Portas da PUC-Rio, chegamos a conclusão de que a formação, talentos e capacidades dos profissionais, em sua base, não mudará muito. Fui bem sucedido porque tenho a experiência, o talento e a competência para usar as ferramentas de forma correta, eficiente e fazer boas escolhas, direcionando “prompts” de maneira a extrair delas um bom resultado. Lembrei que antigamente, eu tinha que manipular um aerógrafo para criar um degradée, algo que hoje é feito em segundos com o Adobe Photoshop, e isso não fez de mim um designer ou artista ultrapassado ou inútil. É um novo mundo que está diante de nós.