Categoria Produção, Arte e 3D

Reunião Jedi no Catete

E ontem, provocado pelo Mario Nakamura, muito mais Jedi do que eu, fomos novamente a uma pré-estréia, em um evento coordenado pelo Conselho Jedi RJ.

Esta foi a minha segunda participação.

Anos atrás fomos em outra pré-estréia. E muitos mais anos atrás, compramos juntos um Yoda animatrônico, que tinha a função de nos ensinar a usar um sabre de luz Jedi. Cada um comprou um. De frente para o nosso Yoda cibernético, tínhamos que fazer movimentos que um sensor capturava e nos incentivava. “Begin you will. Your Jedi training, young apprentice”. KKKKK, muito bom.

Com o tempo a borracha do nosso Yoda foi estragando e muito depois ainda pilhas vazaram dentro do meu sabre, e foi tudo para o lixo, infelizmente.

Para o evento de ontem comprei um sabre novo, um novo manto e foi um grande barato encontrar com a comunidade Jedi, apertar a mão do Brian, responsável pelo Conselho Jedi RJ. A Myriam Gallagher também foi com seu filho e o Naka com o Tom. Pequenos padawans…

Curti o filme, infantil, mas bem feito e com muita ação. Para adultos, só sendo muito fã mesmo, ou para levar os filhos.

Minha Contribuição…

Senhoras e Senhores, parabéns pelo evento.

Eu estava indo, até escolhi de manhã uma camisa “de botão” para sair bem nas fotos, mas 1 hora e pouco de engarrafamento da PUC até o túnel Rebouças acabaram com a minha energia. Fiquei imaginando, tive muito tempo para isso, a dificuldade de arrumar vaga na Rua Alice e toquei pra casa. Cheguei em casa e capotei, acordando quando já eram mais de 23hs.

Vi que foi legal, vi a Karina Rei participando, para mim sempre um diferencial, e acho sempre muito bom as pessoas se reunirem para falar sério sobre qualquer assunto, e este assunto, é sério. Mas, eu sou meio cético e bem prático sobre este tema. Em minha opinião não existe este negócio de IA, de um tempo para cá, TODA A COMPUTAÇÃO é IA, simplesmente porque agora ela pode, agora está disponível para tudo e FINALMENTE o computador ficou pronto.

Finalmente o computador ficou capaz de preencher as suas funções arquétipas, que, por exemplo, Stanley Kubrick viu em 1968 quando fez o seu filme 2001 uma Odisséia no Espaço. O Hal, o computador que falava e interagia com os astronautas.

O computador nasceu para isso, para ser o papai sabe tudo, mas até o advento da IA, o ponto “da singularidade”, quando velocidade, latência, bancos de dados e capacidades de síntese se uniram e foram capazes de entregar o que sempre se esperou do cérebro eletrônico. Gilberto Gil disse “O cérebro eletrônico faz tudo, faz quase tudo, ele faz tudo, mas ele é mudo”, pois é, ele era mudo, hoje ele fala. Absolutamente qualquer coisa que você faça de hoje para frente em um computador, usará o que estamos chamando no momento, de IA. Um programa simples de Receitas de bolo, usará IA, porque com facilidade o programador terá acesso a estas ferramentas e fará um programa que as use.

Para comparar, quando do advento dos carros injetados, todo carro colocava um i no nome, para mostrar que era injetado. Hoje não se coloca mais, pois todo carro é injetado. Com a IA eu acredito que será a mesma coisa, em breve não se usará mais IA, pois como eu disse antes, TUDO é IA daqui para a frente.

Nós publicitários já vivemos outros choques no passado. Quando comecei na propaganda na Artplan em 1979, para fazer um anúncio precisávamos de um DA muito bom desenhista para criar com Stabilo, um redator para escrever com máquina Olivetti o texto, depois um estúdio muito bom para desenhar com nankin e curvas francesas, colar com cola de borracha, do Benício para ilustrar, do Ayrton Camargo para fotografar, do Estúdio Alpha para fazer as fotocomposições e do motoboy para levar as artes para o fotolito. Não tinha sido inventado o microcomputador e nem o FAX. Filmes, montavam-se na moviola, porque não se conseguia gravar e editar usando vídeo.

Vejam o quanto mudou muito e ao mesmo tempo NADA. Pois o que temos para oferecer são as idéias e o processo organizado de produção, coisas que não mudaram. Quem tem “braço curto” vai continuar com braço curto, quem não é criativo não fica criativo com a IA, quem não é organizado, não fica organizado com a IA. Na verdade a minha experiência tem mostrado que a IA potencializa AINDA MAIS quem já sabe fazer e tem as qualidades necessárias. Tenho percebido que ao invés de igualar por baixo, o que muitos tem medo, a IA permite que os de cima voem ainda mais alto.

Esta seria a minha contribuição.

Atenciosamente.

Mário Barreto

Artigo Publicado na Revista DAT Journal

Tenho a alegria de compartilhar a publicação do meu novo artigo acadêmico, que aborda o tema da Computação Gráfica, com foco na formação das primeiras equipes de profissionais da TV Globo.

O trabalho foi publicado na revista Dat Journal ] – Design Art and Technology, referência na área.

Agradeço aos profissionais e também ao apoio institucional que tornaram este trabalho possível.

https://lnkd.in/d9-UcG97

Cabeça boa para Computador!

Meus amigos, não estou de bobeira não, não tenho andado parado. Certamente estou com uma velocidade mais adequada a minha idade, mas venho muito embalado, de anos, de modo que ainda produzindo, escrevendo e trabalhando muito.

Não pude ainda postar o último filme que fizemos, o cliente colocou nele um status de segredo comercial. Estou batalhando para dar uso ao meu recém conquistado Mestrado e já preparando-me para o Doutorado. Caminhando devagar, mas sem parar um instante, seria uma boa definição.

Dirigindo hoje pelo lindo dia da cidade, não sei porque comecei a pensar em como eu sempre tive uma afinidade muito grande com os computadores, como é mais fácil para mim entender, sentir e me “relacionar” com eles.

O primeiro computador que apareceu na minha frente foi um TK-82C, aparecido nas mãos do querido e saudoso Eduardo Salícios. Aquela coisinha, quase inútil, ficou rolando nas nossas mãos por um bom tempo. Dudu acabou perdendo o interesse e o bicho acabou ficando comigo, que perdia horas digitando programas no seu Basic, estudando programação para usar na TV em Preto e Branco. Aí começou. Aí já dava para perceber que eu tinha a mão boa para isso, mesmo sem qualquer curso formal. Sempre foram necessários a persistência e o talento, para pensar “como uma máquina pensaria”.

Depois tive um monte destes bichinhos de plástico, como CP400, TK95X, HotBit e outros. Lembro-me que na TV Globo fechamos um contrato com a Itautec, onde personagens iriam usar os computadores em suas cenas. Prontamente fui para SP fazer os cursos e acabei virando o “suporte” destas máquinas quando estavam no estúdio gravando aqui no Rio. Isso muito antes do PROJAC.

Com a mão na massa! Tenho esta camisa até hoje!!!!

Lembrando que eu era Diretor de Arte, antes, artista gráfico, chefe de estúdio gráfico e neste trabalho gráfico não eram usados computadores ainda. O máximo que eu consegui aproveitar este meu talento foi quando eu rapidamente aprendi a usar a IBM Composer na Artplan, livrando-me de muito trabalho na montagem de páginas de anúncios para a Casa Garson… ô saudade. Ninguém do estúdio botava a mão nestas máquinas e sofriam o diabo com isso. Eu pedi para olhar, observei 5 minutos, fiz 3 perguntas e já no dia seguinte usava a IBM melhor do que o profissional contratado para isso.

Entrei de cabeça mesmo nos computadores quando fui trabalhar na Azimuth. Fui como Diretor de Arte, mas também muito rapidamente aprendi a usar os IBMs PC e o sistema Cubicomp, que fazia lá as imagens em 3D. Dali voltei para a TV Globo, para trabalhar como Animador 3D, mas acabei também produzindo muitos programas para a  conexão entre os PC’s e as máquinas UNIX que tínhamos lá na Globograph. Não era o meu trabalho, não era prioridade para ninguém, só para mim, que precisava disso. Novamente, sem nenhum curso ou treinamento, apenas lendo e entendendo, fui com certa facilidade escrevendo toda uma suíte de batchs e shells para fazer arquivos e imagens zanzarem para lá e para cá entre os sistemas, o que revelou-se muito útil e que ficou em uso por muito tempo após a minha saída da empresa.

Na Intervalo, sozinho no início, eu fiz de tudo em hardware e software. Além, é claro, de criar e dirigir as animações e filmes, o que era o meu real trabalho. Lembro-me da cara de espanto do gringo da AT&T Truevision quando viu a minha solução grátis para um problema que os estava incomodando bastante. A Placa TARGA 32 era fabricada para ser encaixada no Slot ISA 16 bits dos computadores, mas ela funcionava perfeitamente nos primeiros IBMs PC-XT que tinham apenas Slots ISA de 8 bits. O problema ocorreu quando começaram a aumentar o Clock dos PC’s, as famosas chavinhas “Turbo” e os computadores passaram a ser vendidos sem Slots de 8 bits. Ao espetar a placa TARGA (Truevision Advanced Raster Graphics Adaptor) em um computador rápido, única opção disponível, o computador “atropelava” a placa e ela simplesmente parava de funcionar. Era uma placa cara, ninguém queria jogar elas fora e nem deixar de comprar os computadores mais novos. Minha solução foi apenas tapar com durex a extensão ISA da placa de 16 Bits, o que a forçava a usar apenas os 8 Bits. Simples demais e esta solução resolveu o problema de muitos usuários da Truevision em todo o mundo.

Outra sacada da qual eu me orgulho até hoje, foi eu ter descoberto sozinho como desbloquear o software TOPAS e Crystal Graphics, o que nos deu uma vantagem muito boa, pois podíamos instalar o software em todas os computadores da produtora, pagando por apenas 1 ou 2 cópias, que eram caras. Deixe-me explicar… estes softwares eram protegidos por Dongles, um acessório que você tinha que plugar na placa paralela Centronics do PC. Sem perceber o Dongle plugado na máquina, o software não rodava. Em uma época sem Internet, sabíamos que existiam versões desbloqueadas e que eram vendidas a um preço ainda maior do que as versões originais, afinal, eram “melhores”. Pois bem, consegui comprar uma versão antiga do TOPAS desbloqueada, de uma versão que nós tínhamos a versão original bloqueada. Comecei disassemblando o software, um trabalho hercúleo e, pensei depois, fadado ao fracasso, pois o fabricante deveria ter protegido de várias maneiras esta maneira, que é a maneira mais clássica de entender e abrir o software. Mesmo após ter conseguido algum progresso neste caminho, após um dia inteiro grudado no computador, desisti e passei a usar outra estratégia. Pensei que se eu conseguisse descobrir onde o programa aberto mexeu no executável, eu teria uma chance muito maior, talvez reduzindo enormemente o trecho do programa que precisaria ser desassemblado. E assim fiz, primeiro tive que usar uma ferramenta que de forma absolutamente precisa e controlada, cuspisse arquivos syncados em ASCII do .EXEC em HEX originais. Não podia ser um arquivo único porque o resultado seria grande demais e intratável pelos PCs da época. Após descobrir na marra qual era o tamanho máximo possível de ser manipulado no computador, fiz com que os arquivos fossem gerados, gravados, medidos, comparados e finalmente, após um processo que levava 18 minutos em um PC 386, recebi um “cuspe”, indicando exatamente onde os programas diferiam. Entre milhares de linhas, apenas dois pequenos trechos faziam diferença. Rapidamente descobri que no primeiro deles, o autor apenas apagou o número de série original do programa. E, no segundo, DB DB FC 0B, bastava trocar o 0B por qualquer outro HEX, e pimba, o programa abria. Nos milhões de HEX do programa, não havia outra sequência igual e isso ficou assim por anos. Fui abrindo todos os TOPAS e Crystal até pararmos de usá-los. Eu tinha um disquete com o programa NU, o Norton Utilities, e abri, cobrando, vários programas por aí, até de concorrentes, pois eu sabia que eles não iriam parar até conseguir e sendo assim, melhor que eu cobrasse por isso. Para este resultado foram necessários 3 dias inteiros dentro da produtora, sem sair nem para comer. É a tal da persistência.

Depois continuei e continuo até hoje, resolvendo pepinos que aparecem diáriamente nos meus computadores. Tem uma coisa que eu adorava, que era integrar nossas SGIs IRIX, com os Windows NT e os Macs. Eu adoro mexer, usar, resolver, brigar, consertar, qualquer coisa com computadores. É para mim um desafio intelectual prazeiroso, não vejo o tempo passar e sou ainda capaz de ficar horas na frente de um computador. Editando, trabalhando, programando e agora, IAzando!!!

Lembrando mais uma vez que pela ordem eu sou Publicitário, Artista Gráfico, Designer, Diretor de Arte, Diretor de Filmes, Jornalista, Professor de História e Historiador, kkkkkk, nunca fiz curso ou tenho qualquer diploma de informática.

Espero que tenham gostado de ler, tenho mais um monte de histórias destas!

D2Airport

A toque de caixa, criamos e realizamos um filme para o cliente D2Airport.

Essa expressão se remete a todo ato feito com agilidade e determinação. Nos tempos passados essa expressão se referia ao costume que os chefes militares tinham de utilizar o toque da caixa, uma espécie de tambor, para orientar os seus comandados. A invenção chegou até a Europa por meio da expansão dos muçulmanos. A presença destes tambores entre as fileiras dos exércitos árabes acabou alcançando a Península Ibérica, que foi conquistada pelos muçulmanos no século VIII. Geralmente, a forma pela qual o tambor era tocado indicava a realização de algum ato a ser desenvolvido no calor das batalhas. Sem dúvida, a propagação do som era bem mais eficiente se comparada ao envio de um mensageiro ou documento escrito.

E nós, juntos com o cliente, com agilidade e determinação, usando todas as ferramentas disponíveis para a produção e atendimento, tivemos pouco mais de uma semana para cumprir todas as etapas necessárias para a produção. Recebemos uma referência e o texto. Em cima disto, usando I.A. como ferramenta de apoio a produção, Eduardo Martins produziu primeiramente imagens de conceito, depois Storyboards e finalmente as artes usadas nas composições. Mário Barreto cuidou da Direção, Montagem e Edição.

Ficamos, Imagina e D2Airtport muito satisfeitos com o resultado e esperamos que o cliente tenha muito uso para o filme, alcançando muito sucesso. A idéia é ótima, que é um serviço onde você despacha suas malas do Hotel ou outro lugar, ficando assim livre para aproveitar os últimos momentos da viagem livre do estorvo que é cuidar das bagagens. Para viagens de avião e também para cruzeiros. Muito legal.

Obrigado D2Airport, que venham mais filmes.