T R O T E - Pedro Franco
pdaf35@gmail.com

De quando em quando a imprensa noticia que um trote de alunos termina em agravos à saúde e são relatadas fraturas, queimaduras e até mortes, sem falar nos problemas morais, que algumas "festas" de recepção de alunos em faculdades condicionam. São brincadeiras bárbaras, idiotas e imotivadas. As diretorias têm que compreender que, quando em uma instituição uma tradição se desvirtua e perde suas finalidades, deve ser cancelada, para que tristes acontecimentos não se perpetuem e causem danos, alguns irreversíveis, como cicatrizes, problemas psicológicos e mortes. Quem escreve, foi submetido a um trote na Escola de Medicina e Cirurgia, que hoje é da UNI-RIO, que, em se retirando alguns pequenos exageros de um veterano, nada apresentou de traumatizante. Fez-se um Carnaval, fora de época de Carnaval e depois se usou uma terrível boina vermelha. Assim, ainda que em algumas instituições o trote seja uma festa de confraternização, onde os veteranos recebem os calouros com alarido e alegria, existe sempre um grupo de veteranos que aproveita a oportunidade para colocar para fora seus recalques, impondo humilhações e mesmo castigos físicos aos calouros, transformando a festa em fato triste, com repercussões inadequadas, para qualquer indivíduo e principalmente para os que ingressam em escolas superiores, onde se forma a elite do País. Vale referir que o nível intelectual das universidades e escolas superiores de ensino vem acompanhando os salários, isto é, caindo fragorosamente. De toda a forma, como se pode aceitar, ou permitir, que um grupo universitário, ou militar, imponha qualquer tipo de castigo, aos seus colegas recém admitidos? Portanto, se em tese o trote seria uma atividade a ser incrementada, alegre, meritória, de congraça-mento, tipo boas vindas, na prática tem se mostrado, aqui e ali, uma demonstração de barbárie e vandalismo. Mesmo em instituições, em que a festa seguia um ritmo aceitável, ocasionalmente excessos são mostrados e calouros saem frustrados e ficam até arrependidos, de terem se esforçado para integrar aquele meio, que o recebe tão mal. Portanto, diante da realidade, repetitiva, quando parece que desapareceu, julgo que os trotes de calouros devem ser banidos das tradições universitárias e militares, segundo ordem do Ministério da Educação e do Ministério da defesa, enquanto estas exceções de desrespeito à pessoa agredirem a regra. Esperemos que um determinado grau de urbanidade, de civilidade, da mais comezinha educação, se incorpore aos que chegam às séries mais adiantadas das Universidades, Escolas Militares, enfim, generalizando, em qualquer Instituição, face aos acontecimentos atuais e que estes alunos mais adiantados, ou funcionários mais antigos, possam de fato fazer uma festa, para receber os que, com muito esforço conseguiram entrar naquela instituição, fazendo, às vezes, um difícil vestibular, ou concurso. Mas até lá, quando houver educação geral, que se proíba qualquer tipo de trote, ou que outro nome tenha, para evitarmos os vexames e agravos físicos e emocionais, que tais manifestações têm ocasionalmente determinado e que se transformam em lamentáveis e dolorosos casos médicos. E muitos vezes o trote é o primeiro passo para o tão malfadado bullyng, termo usado em falta de outro mais palatável. Quem sabe se a desgraça de Realengo não começou por bullyng em um esquizofrênico?



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