LUZ DO AMANHÃ
Marcos Costa Filho
marpoeta.papareia@yahoo.com.br

Eram duras as pedras do caminho.
Pois, o berço de dourado nada tinha.
E quando a origem beira à miséria,
é preciso ter na vida muito alinho.
Nada de fácil do futuro se avizinha,
vencer, torna-se coisa muito séria.

Descalço sentindo o frio da vida
percorrer o corpo quase desnudo,
há que ter um cerne de têmpera dura,
para dar ao frágil ser, uma guarida.
Assim faltando de meios quase tudo,
torna-se inglória e desleal a luta futura.

Vai o dia, vem a noite, outro dia torna.
E vai rolando o viver pela rua, solto,
correndo sempre atrás de esperanças,
sem um carinho que deixe a vida morna.
De sofrimento é sua sina estar envolto,
sem rumo pelas ruas, como tantas crianças.

Cresceu assim um cidadão sem cidadania.
Pois, lhe foi negado o direito de existir
com o mínimo de aconchego e amor.
Sem primavera, só conhecendo ventania
ficou difícil um pouco da vida usufruir.
Só lhe floresciam sementes de muita dor.

Depois de muito debater-se no duelo
contra agruras e violências, todo ferido,
na adolescência, como um bravo lutador,
tudo fazendo para desvincular-se do elo,
que até então, tanto lhe tinha prejudicado,
quebrou-o... tornando-se afinal um vencedor.

Nova fase. A vida entrou em novo ciclo.
Sofrido foi no tempo de mudar a trajetória.
Depois de tanto esforço, um novo rumo.
Um passado turbulento é arquivo na memória.
Mas da droga, da violência, não é discípulo.
Lutou e tudo venceu, inclusive, o fumo.

Os bons princípios mesmo na pobreza,
foram sem dúvida a clara luz do amanhã,
que ao longe, mas, embora tênue, era um marco
visível da possibilidade de sua maior proeza:
Vencer! Superar a duríssima vida chã,
seguindo a luz, pois não tinha bússola, o barco.



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