POEMA DE NATAL
Narua Lúcia Silveira Rangel

Na cidade o néon se espalha em ângulos e esferas;
A música de Ghershwin anda dispersa pelas ruas;
Pacotes colossais abrem caminho dos humanos
Apressados em seus rumos definidos.
Um Papai Noel colossal,
Ora, Papai Noel, você ainda existe?
Balança a cabeça, sorridente, suspenso ao balcão,
E a loja que vende melodias lança no ar a velha cantiga de Natal,
Misturada ao fonfonar dos autos.
Bonecas movidas a pilha, cabelos de nylon penteável.
Caminham graciosas na moldura dos vestidos engomados,
Enquanto os trenzinhos apitantes correm sobre os trilhos.
É Natal! É Natal!
O menino de rua, esverdeado pelas luzes,
Cola o nariz no vidro inquebrável, esquece o crack, e põe-se a desejar.
Scrooge passa indiferente no seu importado.
A movimentação continua. Conduzindo o espetáculo sons de sinos sonoros.
O menino esfarrapado, oculto no claro-escuro de um portal,
Consome seu crack, tranqüilo.
Prosseguem os ritos natalinos, perdidos em sua essência
- Paz na terra aos homens de boa vontade -
Ah! O Natal! Ah! O Natal!



Voltar