22 Anos de Amizade com Poesia

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O JORNALZINHO


PROSA E POESIA


RESUMO DA HISTÓRIA


ANTOLOGIA 12


PARTICIPE


EVANGELHO



Trecho de "A VALSA" - CASEMIRO DE ABREU
   
Tu, ontem, / Na dança / Que cansa, / Voavas / Coas faces / Em rosas /
Formosas / De vivo, / Lascivo / Carmim; / Na valsa, / Corrias, / Fugias, /
Ardente, / Contente, / Tranquila, / Serena, / Sem pena / De mim!

Quem dera / Que sintas / As dores / De amores / Que louco / Senti! /
Quem dera / Que sintas!... / - Não negues, / Não mintas... / - Eu vi!...

Valsavas: / - Teus belos / Cabelos, / Já soltos, / Revoltos, / Saltavam, /
Voavam, / Brincavam / No colo / Que é meu; / E os olhos / Escuros / Tão puros, /
Os olhos / Perjuros / Volvias, / Tremias, / Sorrias / Pra outro / Não eu!

Quem dera / Que sintas / As dores / De amores / Que louco / Senti! /
Quem dera / Que sintas!... / - Não negues, / Não mintas... / - Eu vi!...

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral, deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center. É curioso: a maioria dos shopping centers têm linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas... Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. FREI BETO