MINI-CONTOS - DJANIRA PIO

NATUREZA
A árvore pata de vaca balança ao vento da tarde de verão. De onde virá esse vento e para onde estará indo? Um sabiá altaneiro agarra-se no galho e balança com ele. É de sua natureza, acostumado desde pequeno e há o instinto de sobrevivência. A árvore é a casa dele, sua proteção. Ali ele faz seu ninho. Sua maior preocupação é com o alimento e a procriação. Veio ao mundo para isso. Deus o encarregou de embelezar a vida dos humanos. O homem não sabe e a ave procura a qualquer custo cumprir o seu destino. E cumpre, quando não está preso em uma gaiola. A árvore pata de vaca procura protegê-lo e balança seus galhos, com alegria, ao sabor dos ventos, da tarde de verão.

LIBERDADE
Na casa da mulher magoada tem-se um lar, repleto de amor. Ali reina a liberdade. À noite, não é preciso, nem obrigado a recolher-se. Pela manhã também, não é necessário acordar ou levantar-se. Ninguém conhece a função da vassoura, nem para que servem as regras todas. Todos são felizes e independentes, não interagem com os semelhantes e não se miram como parâmetros. E quando a barriga ronca e dói de fome, comem liberdade.

LEMBRANÇAS
Lá, naquela montanha, a bisa soprava sempre, de uma maneira indescritivelmente suave. Inclinava a relva para o lado só. Era um sopro perfumado que vinha de lá, não se sabia de onde. Um dia a brisa parou, as crianças cresceram, a Escola Rural se estragou. Cada criança seguiu um caminho diferente e nunca mais se encontraram. Novas situações apareceram, novos ventos sopraram, era a vida que seguia, porque o destino é assim. Nunca mais, o vento da infância, no alto daquela montanha.



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