VERSOS DE Djanira Pio
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A ave
no parapeito
do terraço,
piou.
Alegre quer acordar,
para a vida,
a moça,
que esqueceu de viver.

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O homem na TV
fala sem parar:
catástrofes,
terremotos
ira dos Deuses.
E nós,
o que nos resta
fazer...

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A tarde se fez
clara, quente,
iluminada.
Pessoas passam
tranquilas
pelas ruas.
Respiram forte
nessa tarde única.

Chuva torrencial
na tarde morna
de domingo.
A loja de brinquedos
se iluminou
e se embelezou
com suas luzes.
Lembrei-me de você.
Seríamos tão felizes!

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Ao elemento feminino
coube,
Segundo os céus,
a responsabilidade
da procriação.
A continuidade
da vida.
Ficou o dilema:
para que continuar?

MENINA BOBA
Djanira Pio

Cansada de ouvir o choro de uma criança, a fada saiu de seu lugar e apareceu. - Menina Boba, por que chora tanto? - Eu choro porque não tenho asas... - Menina Boba, por que você queria asas? - Com as asas eu poderia voar por toda a extensão do Globo, longe das cercas, dos muros que os homens colocaram para delimitar territórios. Conheceria diferentes paisagens e pessoas, da neve à terra árida, vales profundos e picos altíssimos. Conheceria o mundo de Deus. - Menina Boba, não sabe que para locomo-ver-se tem suas pernas? Para pensar tem sua cabeça? Com sua alma pode sonhar os mais lindos sonhos? Pegue esse lenço bordado e enxugue as lágrimas. A fada entregou a ela o lencinho encantado, que eliminou toda a tristeza de sua condição humana.



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