PERGUNTAS QUE A VIDA FAZ
ARITA DAMASCENO PETTENÁ

A vida me pergunta a cada instante:
Quem és tu? De onde vens? Para onde vais?
Os pés se me pesam nas calçadas
em caminhos sem volta e sem destino.
Perdi o rumo de todas as estradas,
espectro vivo de um mundo em extinção.
Quem sou eu? Alguém que vive e se debate,
como um simples número a mais,
num universo em chamas de egoísmo
e de conflitos de credos e de raças,
e em confrontos com idéias e ideais.
De onde venho? Venho do ventre da terra
que se diz mãe e se porta como madrasta,
vomitando, no dia a dia do existir,
sonhos acalentados pelos vãos do espírito
até se diluírem, como densas névoas,
na amplidão de um espaço em trevas.
Para onde vou? Vou para o vazio de mim mesma,
prisioneira confinada entre quatro paredes,
que me cercam e que me oprimem,
e que me enclausuram em chão de pedra,
eu, que me dizia ser a própria Estátua da Liberdade,
cantando o amor, em cada verso, em cada madrugada,
até vislumbrar, ao redor de minha cela,
ilusões caídas de vencidas,
esperanças cansadas de esperar.



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