MATADOR, ADVANCE, FLINT

Então… continuando depois de uma pausa com muito trabalho, com os textos sobre a evolução cronológica dos softwares e equipamentos que usei até hoje.

A produtora perdeu dois sócios, Sérgio Fiúza que foi para a Globosat e Alexandre Sadcovitz que foi para a TV Globo.  Continuamos eu e o Thomas Wilson e resolvemos dar o próximo passo que foi comprar Silicon Graphics, Betacam Digital e softwares high-end para rodas nestas máquinas.

Nós já frequentávamos NABs e Siggraphs, de onde voltávamos cheios de gás e com vontade de comprar tudo. Tudo não dava, mas o Thomas conseguiu um crédito e de uma tacada só investimos meio milhão de dólares para um pacote que incluia as máquinas, os softwares, os acessórios, a nova sala, a instalação e até uns anúncios no Meio&Mensagem. Mandamos bala!!!!

Para as máquinas de vídeo Sony convocamos Marcos Sarubbi e Padilha! Grande Padilha. E para os computadores e softwares compramos com o Flávio Bahia. Ah! Compramos também um Abekas Diskus, um DDR com incríveis 1 minutos de vídeo digital em SD… e que custou os olhos da cara. Este compramos com o Guilherme.

Fora a demora com a carta de crédito com com a CACEX, vocês não imaginam a burocracia que era nesta época, tudo estava indo bem até que rolou uma super greve em Campinas e parte dos equipamentos ficou no pátio, na chuva, em Viracopos por semanas. Este sempre foi o custo Brasil…

Parallax Matador Interface

Escolhemos comprar Parallax Matador e Advance. Vimos um demo na NAB e ficamos loucos com as capacidades dos softwares. O Matador era utilizado pela ILM e foi a primeira vez que vi um motion track funcionando. Era coisa do demônio. O demo era colocar um brinco na orelha de uma modelo, seguindo o furo da orelha e o resultado era de deixar babando. O Matador era muito capaz e completo, fazia absolutamente tudo e foi uma ferramenta incrível.

O Advance já veio um pouco cru, mas rapidamente evoluiu e virou a minha ferramenta de composição preferida até hoje. Ele trouxe ao mundo este esquema de editar em árvores e era uma delícia de usar. Tudo nele era mais fácil de usar do que no Flint/Flame/Inferno. Usei até não aguentar mais e vender as SGI. Tenho saudade dele e nenhum outro software, mesmo os parecidos, conseguiram ocupar o seu lugar no meu coração.

Advance – Media Illusion

Começaram rodando na Indigo 2 Extreme e depois passamos eles por Indy, O2 e Octanes. Deu confusão porque o representante brasileiro não passou o pagamento aos ingleses da Parallax e então o Flavio Longoni ficava tendo que trocar licenças todo mês. Um saco e injusto, pois todos sabiam que havíamos pago. O Flavio Bahia explicou que a greve acabou com o seu fluxo de caixa mas não adiantou. Sendo assim, ele ofereceu a troca de tudo por um Discreet Logic Flint, com dongle, sem esta coisa de licença expirar! Topamos e tivemos o primeiro Flint da AL, rodando lá na Torre do Rio Sul. Preço? 60K doláres. Eita!

Perdendo o cliente a Parallax fez uma oferta imbatível para ficarmos com o Matador e Illusion operando e compramos outra Silicon para eles. Ainda bem, eu sempre gostei mais deles do que do Flint. Quem nos suportava no Flint/SGI? Carlos Tibúrcio, Mônica, Francisco Lima, Geraldo, Sônia Barbosa.

O problema é que a Discreeet era uma powerhouse perto da Parallax. O Flint era mais caro, exigia uma máquina mais cara mas  rodava muito redondo. O softwares da Parallax eram menos exigentes e acabavam dando mais pau. Tinham muito mais engenheiros trabalhando no Flint do que no Advance de modo que ele era menos sólido. Venderam tudo para a Avid, que renomeou o Advance para Avid Media illusion.

Deste conhecimento nasceram o Shake, o Combustion, o Avid XSI

O Thomas tem ainda o Flint e eu talvez consiga colocar ele para rodar ainda, se a Indigo ligar.

Muitos profissionais trabalharam comigo nestas máquinas, Ute Volmman, Daniella Amaral, Paulo Galvão, Líbero Saporetti, Levi Luz e outros. Ganhamos muitos prêmios, até internacionais.

Neste início a edição digital não era tão integrada com a composição digital, simplesmente porque as máquinas não tinham muitos minutos em real time.

E para ter algum realtime tínhamos que montar Arrays em SCSI3 e só quem passou pelo terror destes cabos e conectores sabe a meleca que isso é. E colocar SGI Galileo em genlock, outra batalha que vencemos.

Vejam um demo da época:

Uma época muito boa, com muitos trabalhos. No atendimento da produtora nesta época tivemos Mosana Marins, Mario Nakamura e finalmente a Karina Rei que hoje é minha sócia aqui na Imagina. Nestes áureos tempos a produtora chegou a ter mais de 30 funcionários e fazíamos uma média de 12 jobs por mês. Bem pagos jobs por mês. É, era uma beleza.

to be continued…
Mário Barreto

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