Archive for Produção, Arte e 3D

Quest | LABET

Nosso Cliente LABET associou-se a Quest Diagnostics e juntos criaram o maior laboratório da América Latina para a realização de Exames Toxicológicos de Larga Janela de Detecção. E também o mais moderno do mundo.

Para a ocasião da inauguração desta incrível instalação, realizamos um filme institucional de 9 minutos de duração, com entrevistas e depoimentos de seus diretores, sócios e colaboradores. Adoramos o desafio!

Quem lembra do AT&T RIO?

Como eu contei antes quando comentei sobre o True Color Paint e seu filho TIPS, eram toscos como ferramenta de arte. Era difícil criar bons degradées, era fácil fazer imagens serrilhadas. E só trabalhavam com imagens do tamanho da placa TARGA ou VISTA, o que constrangiam o tamanho ao máximo de 720×486 linhas.

O formato TGA não tem este limite e então, logo após, a AT&T Lab lançou o RIO :

“Rio graphic software is a DOS-based multimedia design product for graphic design, broadcast and video professionals. It is an object-oriented program, using vector-based drawing tools and resolution-independent technology. It employs such raster image processing features as emboss, contrast, negative, overlay, posterize, pixelize, soften and B&W.”

“RIO graphic software offers high-resolution vector-based design combined with the functionality of a paint package,” said Timothy May, product manager for AT&T’s Multimedia Software Solutions Group. “Its proxy edit feature lets customers use their favorite MS-DOS or Windows-based paint programs from within the RIO software program, and edit any resolution of supported image files.”

Vejam que a AT&T tinha este braço de tecnologia de ponta, de imagem, que depois rolou um spin off para Lucent Technologies.

Ele rodava em DOS, era Resolution Independent e Objected oriented, daí o seu nome – RIO. Requeria uma placa TARGA ou VISTA ou, lembram? MATROX. Não tinha layers, ele tinha Objetos que vc podia escalar com qualidade.

Na prática ele nos libertou do tamanho da imagem, criava grafismos vetoriais que podiam ser escalados com antialiasing, degradées de múltiplas formas, um dithering decente e muitas outras ferramentas. Com ele eu passei a poder pintar grandes imagens para usar como background, texturas mais elaboradas. Embora muitos artistas tenham feito ilustrações até para a impressão usando os primeiros RIO’s for DOS, eu o usava mais como uma ferramenta de apoio e para fazer cartelas como um Chyron. Eu gostava da qualidade dos ramps, dos caracteres, mas não gostava de usar ele. No final desa época ele ia de bundle com o Crystal Topas por 1.000,00 US$. Pouco usado, pouco amado, pouco lembrado, mas todos tinham que ter.

Depois ele evoluiu para versões com Windows e para PowerPC, Alpha, Intel e MIPS. Este mundo de computação já teve muito mais diversidade não é? Mas estas versões de Windows foram logo engolidas no mercado pelo… pelo Corel Draw!

E então, quem usou o RIO?

Abraços

Mário Barreto

QFX – A arma secreta

Vou aqui, de folião, continuar com os meus textinhos sobre a sequência de equipamentos e softwares que tenho usado em minha carreira na CGI. Tenho tido um bom feedback sobre isso, bacana.

Desta vez vou falar sobre o QFX, criado pelo texano Ron Scott em 1990. Tive o prazer de conhecer pessoalmente e conversar com ele em uma Siggraph, o cara foi super gente boa.

Conheçam-o em http://www.ronscott.com/biography.html

O QFX inicialmente era um conjunto de programas que rodavam em linhas de comando DOS, que manipulavam imagens para as placas TARGA e VISTA. TRI, TSI, Blur, Sharp, TMI… eram vários executáveis que escreviam imagens no framebuffer TARGA e as manipulavam de diversas maneiras através de flags e comandos digitáveis.

Neste ponto pude misturar o que aprendi no Cubicomp e no Script, porque fui capaz de modificar o Sequencer do Cubicomp, fazendo-o gerar arquivos .BAT no DOS com uma sequencia de operações frame a frame. Lembrem-se que ainda não tinha sido inventado um Photoshop decente, nem o mercado de edição e composição digital.

Mas nós na Intervalo já fazíamos composições complexas, somando e filtrando imagens frame a frame automaticamente controladas pelos arquivos batch em DOS. O Sequencer era capaz também de interpolar valores e setar steps de intervalos de frames. Os arquivos batch resultantes eram muito sofisticados.

Nesta época, início dos anos 90, abri com a Carla Sprinz uma produtora em SP, a Pickings, e fiz um workshop com uma galera lá. No exemplo/aula que usei para o workshop tive a oportunidade de mostrar como usar o QFX e eles ficaram loucos com isso, pois não tinham idéia de que era possível fazer composição de imagens, abrindo um novo mundo de possibilidades.

Sequencer Modificado

Mas não passei para eles o meu exclusivo Sequencer modificado. Eles dois juntos eram uma uma arma secreta e nos dava um bom diferencial. Tenho ele guardado aqui até hoje, é um talismã.

Usamos muito ele e na época pegamos um contrato com a TV Globo para fazer o resultado do TC Bamerindus. O resultado nos era passado no sábado e tínhamos que fazer o filme de animação no sábado mesmo, pois iria ao ar no domingo. O primeiro deles eu fiz usando um batch que perguntava o resultado e ficava sozinho gerando os frames ao modo do Script, e depois ainda editava sozinho na fita Betacam, também frame a frame. O processo todo levava umas 2 horas. Depois a animação mudou e o Alexandre Sadcovitz fez um programa mais sofisticado usando QuickBasic PRO, mas ainda invocando os executáveis do QFX. Também levava 2 horas, mas era mais sofisticado no gerenciamento das mídias e no tratamento de falhas.

Faustão e o TC Bamerindus

Depois disso os outros softwares foram se sofisticando, o Windows entrou em cena e o QFX foi se tornando rapidamente irrelevante e incompleto. Bom foram os primeiros, que usamos intensivamente.

Abraços e bom carnaval.

Mário Barreto

TV Globo – PDI – Script

Então pessoal, continuando a comentar os principais softwares que eu efetivamente usei desde que comecei a trabalhar com CGI, em ordem cronológica, cheguei ao Script. Digo principais porque desde o início de meu relacionamento com os computadores, eu sempre usei um monte de softwares, para administração, programação, apoio e etc. Realmente muitos e eu sempre fui muito curioso. Em uma época muito antes da internet era difícil ter acesso a muitos softwares mas eu dei muita sorte de ir para a Globo Computação Gráfica e ter a disposição dezenas deles. Não era simples (barato) ter um bom PC, e muito menos muitos softwares.

Eu e o Bernardo trabalhávamos com os nossos Cubicomp’s na última sala do segundo andar da casa, onde ficavam os PC’s. Nós de um lado e do outro lado da mesa ficavam o Carlinhos “Barão” com um PC AT que o José Dias trouxe dos EUA abarrotado de softwares de todos os tipos e funções, e a Danuza, rodando o Paint System desenvolvido dentro de casa para o Cromenco, que comentei no artigo anterior. Nesta sala também trabalhou o Marcelo Póvoa. Era bacana, confortável, bem equipada, com um banheiro muito bom, era uma suíte originalmente. Mas tinha um “quê” de segunda linha, pois a grande atração da GCG era o Script que rodava em Unix no VAX e Ridges do térreo e espalhado em terminais VT 100 pela casa toda.

Ao chegar na CGC dei-me com uma instalação inacabada de rede Ethernet. Não lembro porque as coisas não estavam ligadas e funcionando, mas o fato é que as placas, cabos, softwares e conectores estavam todos lá, mas sem instalar e configurar. Não era o meu trabalho, mas enchi o saco do Sérgio Fiúza e do Franco Lizzi para me ajudarem a colocar isto de pé. Eu estava procurando 3 coisas que eram: 1 – conseguir mais espaço em disco para os PC’s Cubicomp. Cada um tinha apenas 20 Mb de HD e os “imensos” discos removíveis dos VAX tinham a ENORMIDADE de 480 Mb de espaço em cada set. Os set de discos eram removíveis, uma doideira e se não me engano tínhamos 2 conjuntos de discos para usar. 2 – Ligar um Cubicomp no outro! Sim, pois antes da rede funcionar, através de TCP-IP bem cru, para transferir arquivos de um PC para o outro só podíamos usar discos flexíveis de 5 1/4 com capacidade de 1.2 Mb cada disco! E davam erro demais. 3 – Estudar UNIX e ir cavando uma oportunidade para trabalhar no sistema principal, onde inclusive o salário era maior.

Lá já estavam a Lucia Modesto, o Roberto Shimose, o Eduardo Halfen, o Alexandre Sadcovitz, a Tita, o Silvio. E mais, Rogerio Ponce, Toni Cid, Sonia Barbosa, Claudia, Carlos São Paulo, Jonas Gomes e Luiz Velho. Uma equipe de respeito. O Silvio saiu e eu escorreguei para o lugar dele.

Roberto Shimose e um terminal VT 100

Tive uma curva de aprendizagem relativamente rápida, pois já sentei no terminal sabendo duas coisas muito importantes que eram os comandos básicos do UNIX e, mais importante, sabendo usar o Vi, o editor de texto que usávamos para absolutamente tudo do Script. Peguei esta manha escrevendo os arquivos .bat e shell’s para ligar os PC’s nos VAX, usando um VI para DOS que veio lá naquele PC que disse acima. E o VI do UNIX.

Todo o sistema do Script não tinha uma única interface gráfica. Da modelagem ao render, tudo era realizado editando arquivos de texto que eram usados como fontes para processamentos e compilações que lá no final resultavam em uma imagem de TV.

A modelagem era feita programando-se primitivas básicas em arquivos de texto, ou processando arquivos de pontos capturados nos tablets, que depois eram usados como entrada de outros programas que os manipulavam para extrudar, girar, deformar e etc. Tudo na tela de fósforo verde do VT 100, tudo letrinha e “numeroszinhos”, gerando arquivos de saída em texto, que por sua vez iam sendo usados como resultados para finalmente rodar um gera-frames que ia fazendo o render frame a frame das animações.

Com o arquivo de imagem pronto no HD, usávamos o comando RI, Read Image, para escrever esta imagem no frame buffer e aí sim ver a imagem. E depois editar frame a frame em um VT.

Imagem muito boa, diga-se de passagem. Um antialiasing animal até hoje, e para a época, um shader muito bem feito, com a luz 3D espalhando-se sobre as superfícies com muita qualidade. Era trabalhoso, era demorado, era limitado, mas qualquer coisa que funcionasse no Script, ficava bonito e bem feito.

Uma pena que não achei nenhuma imagem da tela do sistema, mas não tem muito para ver, texto apenas.

Não vou re-escrever o que já está escrito sobre o Script, PDI e TV Globo. Está tudo nos links que disponibilizo abaixo. Os caras eram muito bons, leiam abaixo:

 

Richard Chuang, Glenn Entis e Carl Rosendahl

 

6.7 Pacific Data Images (PDI)

José Dias

http://memoriaglobo.globo.com/perfis/talentos/jose-dias/trajetoria.htm

O Fim da PDI 🙁

Dávamos um duro danado tentando fazer as imagens nas cores que o Hans Donner queria, com os movimentos e cortes que o Nilton Nunes imaginava, com a precisão que a Ruth Reis exigia, no tempo que o Script permitia…

Ruth Reis e Hans Donner. Eu também estava aí e neste job conhecemos o Capy Ramazzina. Abertura de TiTiTi.

 

O primeiro trabalho importante que caiu na minha mão foi refazer a abertura do Jornal Nacional usando o novo render e novas ferramentas que a evolução do Script permitiram. A primeira versão tinha sido realizada nos EUA diretamente pelo Glenn Entis e Richard Chuang. O que parecia ser um job moleza e perfeito para o mais inexperiente da equipe, revelou-se mais difícil e chato do que parecia. Como sempre, recuperar backups é um inferno e as pequenas mudanças em tudo tornaram necessário fazer de novo, com as novas ferramentas e softwares. Quem mais me ajudou foi o Luiz Velho, e o trabalho foi um sucesso, ficando anos no ar.

Não tive muitas outras oportunidades porque logo depois sofri um acidente de moto e fiquei 1 ano inteirinho de molho em casa me recuperando. Após voltar peguei um projeto de fazer um Fórmula 1, uma modelagem incrivelmente desafiadora para as ferramentas disponíveis e logo após eu saí da empresa para montar a minha própria produtora.

A história do Script é incrível, com pessoas incríveis. Foi uma época marcante, com resultados sensacionais. Uma maneira de fazer computação gráfica que apenas os pioneiros puderam experimentar. Foi um barato ter participado deste momento, com estas pessoas e depois poder dizer que fui também um pioneiro.

Para usar o Script e o Cubicomp também, tive que aprender uma série de  fundamentos e a editar muitos arquivos, algo que não se distancia muito da programação. Uso o Vi com constância até hoje e foi uma escola sensacional.

Vejam abaixo trabalhos realizados com o Script.

Não sei dizer quantas das vinhetas da Globo abaixo foram feitas com o Script, mas com certeza a maioria das feitas em computação.

Espero que estejam curtido, depois continuo, afinal neste ponto aí ainda estou em 1987. Procurei fotos da equipe aqui na Internet, mas não achei. Fotos legais tem no livro do Hans Donner.

Mário Barreto

 

True Color Paint e Digital Arts Lumena

Continuando de onde parei, do Cubicomp, vou escrever sobre o TCP e o Lumena, os dois Paint Systems que vinham com ele e eram necessários para fazer backgrounds, texturas, enfim, manipular imagens digitalmente.

Logo depois a Quantel lançou o Paintbox, que dominou o mercado de Digital Paint para o broadcast e foi a base de onde depois nasceram todos os outros softwares da Quantel que estão aí até hoje. Ser “paintboxer” era uma posição de prestígio para a qual se pagava muito bem. Não tem muito tempo aprendi a usar o Pablo e eQ, e finalmente me senti um paintboxer!

Tela do Paintbox. Mudou pouco…

Uma amiga comentou “pra que ficar lembrando o passado? O negócio é a inovação!” Concordo que a inovação é importante, mas também acho tudo o que está aí a disposição dos inovadores tem uma história e representam um conhecimento que pode ser muito útil. Como disse Isaac Newton “Vi mais longe porque estava apoiado no ombro de gigantes”. Alguém tem que olhar para trás né?

De cara, o que do passado mais me ajuda no trabalho de hoje, é a minha cabeça de gerenciamento de recursos. Eles eram escassos, tinham que ser usados com muita parcimônia. Usar os recursos hoje como se eles continuassem a ser raros, tem me ajudado bastante, pois meus equipamentos estão sempre sendo “economizados” e rendem muito mais.

Vejam por exemplo o que o Lumena exigia… 256 a 512K de RAM e um mínimo de dois disquetes de 5 1/4. Nem HD era necessário, embora eu tivesse a minha disposição estonteantes 20 Mb de HD para trabalhar. Um luxo. Bill Gates chegou a dizer que “640k de RAM é tudo o que os usuários vão precisar na vida”.

Anúncio do Lumena e Specs. Vejam o preço!

O Lumena que usei tinha o diferencial de trabalhar no modo “Map Color”, embora também pudesse em versões mais novas, trabalhar em bitmap high color e full color. E o que significa isso?

Significa que cada pixel na tela de 512 x 481 recebia não uma cor, mas um índice. E este índice era associado a uma cor. Sendo assim, ao manipular os índices, as cores mudavam na tela em tempo real. Geralmente em mapas de 256 cores. Isso na mão de um designer criativo e bom como o Toni Cid dava margem para manipulações incríveis e animações em tempo real, em uma época em que nada era tempo real nos computadores. Toni fez aberturas de novelas brincando com isso.

Abertura de Guerra dos Sexos

Mas não usando o Lumena e sim usando o sistema de pintura que a TV Globo desenvolveu para o computador Cromenco, que era nesta mesma linha, muito parecido até na interface.

O True Color Paint, TCP, foi desenvolvido pela Island Graphics e era igualzinho ao TIPS (Truevision Image Paint System) que vinha junto com as placas frame buffer TARGA (Truevision Advanced Rsater Graphics Adaptor). As placas TARGA dominaram este mercado entry level e depois falaremos dela.

O TCP era um paint bitmap fácil de usar, com seus comandos na tela RGB, com um menu flutuante. Bem limitado em suas ferramentas, mas todos sabiam usá-lo. Tenho um TIPS operacional que funciona até hoje, basta ligar. Era rápido e eficiente mas sem nenhuma sofisticação. Longe, muito longe de um Photoshop de hoje.

Eu usando o meu TIPS

Para controlar ambos usávamos tablets Summagraphics com fio, que precisavam ser conectados aos PC’s através de portas seriais que eram um inferno de configurar os IRQ’s usando jumpers nas placas. Disso eu não tenho a menor saudade.

Um Tablet Summagraphics com o stylus e o puck.

Logo as vantagens do modo Map Color foram ultrapassadas pelo avanço do hardware e software, e o único representante que ficou no mercado por mais tempo foi o Autodesk Animator, que era uma outra porcaria (minha opinião)

 

Tudo isso rodando em DOS, pois o Windows ainda não tinha nascido.

No próximo post vou lembrar o Script, o incrível sistema que a TV Globo desenvolveu com a PDI e que era o máximo naquela época.

 

Abraços

Mário Barreto